O mais novo lixo, quero dizer “hit” do forró pop brega é uma canção que repete até a beira da exaustão um refrão que diz: “Ô Alaide, Ô Alaide, Ô Alaide…” E o nome de outras comadres…

Quem é Alaide, caro (a) leitor (a)? Segundo a mitologia popular, uma prostituta de Recife ou Fortaleza. De onde é ninguém sabe ao certo. Mas se afirma categoricamente que é uma puta.

Quem mais poderia ser? Uma cientista? Uma educadora? Uma mulher incrível e descolada? Não. Tudo isso é bobagem.

Tal como o funk carioca (Em seus mais vastos representantes)… o forró pop brega é um reflexo da cultura musical brasileira vinculada comercialmente. Ou seja, pautada pela banalização, vulgarização e degradação da pessoa humana. Não tenha dúvidas leitor (a). O que se ouve normalmente nas rádios e demais mídias abertas é – em sua maoria – o limbo da musicalidade nacional.

Cedo, as crianças são apresentadas ao lixo simplesmente porque nas escolas não existe aula de música. Em vez disso, se perde tempo com bobagens como a disciplina de religião. Em nenhuma escola pública que conheço, existe aula de música. A música não é uma disciplina. Onde existe se trata da ação preciosa e amadora de alguns alunos e voluntários.

Assim, conceitos como lirismo, sonoridades, ritmos, canto, canções e escrita são absolutamente negligenciados. O brasileiro não ouve música de qualidade porque ela não lhe é ofertada; nem na infância e muito menos, na idade adulta.

Quem aprende a ouvir boa música (seja um genuíno ritmo regional ou música clássica) o faz como um autodidata. Merece aplausos.

No mais sobram as cachorras, as ordinárias, os cornos e os safadões…

Na noita da virada do ano novo, sai com minha esposa, fui até o encontro dos meus irmãos e pais, passei alguns minutos na casa de uma tia e na casa da minha sogra; depois, voltei para a minha residência e tive uma simples, mais ótima celebração do ano que chegava com duas amigas e minha mulher.

E assim, foi essa a minha celebração da entrada do ano de 2010. Sinceramente, não queria mais que isso. E na verdade, nem podia. Na noite anterior, dia 30 de dezembro, estivera no hospital com forte febre e uma infecção urinária terrível. Portanto, ainda me restabelecia.

Curiosamente, este infortúnio me fez pensar sobre o que de fato vai mudar na minha vida neste ano novo… Conseguirei um emprego efetivo? Municipal, Estadual? Estabilidade financeira? Quem sabe. Na verdade, por mais que isso seja importante, por algum motivo, me vejo sempre tentado a negligenciar esta busca.

No fundo, o que realmente me importa, insiste em me ser negado. Assim, atravesso o romper dos dias, meses e anos, sem grandes oscilações nas cores, texturas e materializações que preenchem a minha vida.

Desta forma, me solidarizo com todos aqueles para quem a entrada de 2010 não significou absolutamente nada em suas vidas. Com aqueles que permanecem abandonados nas ruas, sem acesso a terra, a comida, sem emprego; aqueles que permanecem tendo de conviver com a violência, a ausência de saúde e educação de qualidade (básica, na verdade).

Aqueles para quem um papel colado na parede com os dizeres “Feliz 2010″ é apenas mais um papel, que por sinal, já começa a desbotar.

Esta semana ouvi um comentário que certamente jamais esquecerei e que, ao meu ver, revela claramente um “sinal dos tempos”. Ocorre que esta semana apliquei provas em uma determinada escola, quando fui chamado para ir até outra sala tirar “dúvidas” de alunos (Na verdade eles esperam que o professor entregue a resposta certa para eles…).

A confusão estava lançada. Antes de mais nada, me recusei a ir até a sala pois sabia que as “dúvidas” que eles tinham eu não poderia tirar em pleno período avaliativo. No fim das contas fui – atendendo ao apelo da vice-diretora ( ! ).

E lá, por ocasião, reclamaram da dificuldade que era assistir minhas aulas por causa do barulho presente na sala (Certamente não partindo de mim). Disseram que muitos alunos não conseguiam prestar atenção porque eu não colocava para fora da sala “quem não queria nada”…

E pasmém, uma aluna argumentou que isso tudo era culpa da minha educação. O fato de ser “educado demais”, impedia que minhas aulas fossem desenvolvidas a contento.

Como questioná-la? Ela está certíssima! Em tempos onde idiotas e nulidades são os grandes heróis adolescentes do momento; e mulheres vestidas como vadias despontam como o mais desejável esteriótipo de beleza, a boa educação, a civilidade e a camaradagem entre as pessoas são mais do que desnecessárias.

Nós não precisamos ser educados, os outros que sejam com a gente. Nós não precisamos esperar nas filas, prestar atenção aos ensinamentos do professor, abrir passagem, ser gentis com os mais velhos, prestar a atenção a qualquer coisa relevante que o seja. Nada disso. Os outros que o façam!

Que tipo de professor o aluno espera hoje em dia? Creio que sei qual (em seu íntimo), mas em tempos de barbárie e tolice generalizada, as fórmulas autoritárias são sempre as mais buscadas.

Assim, o professor ideal deve frequentemente expor os alunos ao ridículo, lhes questionando frequentemente a inteligência e os chamando de burros de vez em quando. Deve dar socos e murros no quadro e na escrivaninha, deve mandar todos calarem a boca e colocar para fora da sala todos os “indesejáveis”.

Exatamente o que me nego a fazer…

Já é até um clichê entre nós nordestinos questionar a forma com os canais abertos retratam a região Nordeste. A rigor, o cenário é sempre este: um litoral insolarado com belos corpos de biquini, passeios marítimos, balneários, bebidas e afins e um interior marcado pela seca, onde apenas os simplórios e ignorantes residem à espera da morte.

Esteriótipos, imagem rotuladas, distorcidas e promovidas todos os dias. Um mundo exótico e artificial que só tem sua razão de ser vinculada aos enormes lucros de uma audiência que sabe da eficácia do melodrama barato como produto.

Eu mesmo fui testemunha de como as coisas se desenrolam nos bastidores desta farsa televisiva. Há algum tempo, uma equipe da Rede Globo, esteve aqui no município onde resido – Parelhas-RN – para realizar uma reportagem sobre os “aspectos culturais e turísticos” da cidade.

O circo então começou a ganhar forma…

Parelhas tem mais de cento e cinquenta anos e pelo que me consta, jamais existiu aqui um comércio de aluguel de bicicletas ( ! ). Mas a equipe da Globo queria retratar isso. Não sei como, conseguiram uma placa tosca anunciando o produto e a colocaram na praça central com várias bicicletas disponibilizadas as pressas para esse suposto fim.

Segundo a reportagem qual era a síntese do turismo e da cultura popular da localidade? Um fim de semana de farofeiros na Barragem Ministro João Alves (conhecida popularmente como Barragem Boqueirão).

Ficou de fora o rico artesanato, a diversificada culinária, o patrimônio arquitetônico e histórico (neste município são reconhecidos os indícios mais antigos da presença humana no Seridó – 9.100 anos atrás) e, para minha pessoal surpresa não foi mencionada a existência da Comunidade Quilombola Boa Vista dos Negros – uma povoação centenária formada por escravos e libertos, riquíssima em manifestações culturais e sociais próprias.

Mas claro, informar não era realmente a intenção da reportagem. Seu único ímpeto foi produzir uma matéria de teor barato e cômico para ser vinculada mais tarde no Fantástico, o “Show da Vida”.

Frente a crítica e reação dos populares da cidade contra essa retratação patética e pobre do seu cotidiano, a Globo reservou ainda uma última surpresa: Quando a reportagem foi exibida o nome do município se quer foi citado…

Em um reino encantado de tolos, nasceu uma criança que cedo apresentou talentos excepcionais; era curiosa, inquiridora, prestativa e boa.

E assim cresceu; tornando-se um homem aplicado em tudo o que fazia na vida. Seus prodígios e ações percorriam todo o reino. E as demais pessoas ou o invejavam ou abusavam de sua boa vontade.

Sua fama cresceu, chegando até aos ouvidos dos deuses; despertando em um deles, sem nome, uma profunda inveja. “Como pode tal homem ser tão dono de si?” Perguntava-se. “Ei de mandá-lo a desgraça…” “Ei de torná-lo alguém comum…”

Simplórios e crentes atenderam prontamente a sua vontade. E ele foi acusado de tudo querer saber, de querer saber demais e mais do que todos os outros.

Caiu, pois, na mais profunda desgraça. Sendo-lhe reservados os piores e mais insignificantes afazeres, sendo-lhe negados livros, documentos, pergaminhos, a tinta e a pena. Em vez disso, deveria beber da “água da vida”, fonte de todo o conhecimento legítimo e renegar eternamente a dúvida, o desejo de querer saber. Foi-lhe ainda proibido falar em público, expor suas queixas ou opiniões.

Sem saída, passou a peregrinar em longas caminhadas por uma densa floresta. Nela, passava seu tempo por entre as árvores e pequenos animais. E em cada caule, aqui e acolá algo escrevia.

Quando indagado por um eventual tolo sobre o que fazia, respondia-lhe:

“Nada mais faço do que raspar o musgo das árvores…”

Os tolos o tinham como louco, pois não sabiam ler.

Moral da história: Em um mundo de tolos mais sensato é conviver com as árvores.

É claro que os leitores do Mundo de Jack já se deram conta: Eu sou mesmo um nerd! É  como bom nerd, fico atento a determinados produtos de nossa cultura pop mundial. Principalmente aos gêneros de ficção científica.

Por exemplo, antes mesmo de sair o filme, tive o prazer de ler a obra Watchmen, do gênio dos quadrinhos Alan Moore.

Pois bem, se algum leitor deste blog leva os meus escritos a sério, não perca tempo e siga o meu conselho: Qualquer HQ de Alan Moore que encontrar leia! E tenha certeza que estara desfrutando de um material muito além do gibi comum.

A obra Watchmen, por exemplo, é complexa demais para se perder tempo tentando explicá-la aqui. Assim, vou me deter em um personagem que considero especialmente fascinante: O Doctor Manhattan. Trata-se de um cientista convertido em verdadeiro deus após um terrível acidente de trabalho; o cara consegue ficar do tamanho que quiser, ver lampejos do futuro e é praticamente onisciente; além de projetar uma energia compórea tão forte quanto uma bomba atômica.

Mas deixando de lado o impossível, é comovente observar que ao longo dos anos, este personagem não mais humano, passa a perder também em termos emocionais a sua humanidade. Ele não se comove diante dos dramas pessoais que afligem todo homem ordinário; e mesmo diante de tragédias (assiste passivamente, por exemplo, uma mulher grávida ser baleada na cabeça!).

Para ele, tão complexa ou mais que a experiência humana é a transformação química, a observação dos mecanismos naturais que regem o universo.

Diante da eminente eclosão de uma terceira guerra mundial e mais ainda, da extinção da humanidade, ele apenas comenta: “O universo nem irá notar…”

Por fim, farto da loucura que é viver em sociedade e mais ainda, da chocante compreensão do quanto que as pessoas sofrem terrivelmente por verdadeiras irrelevâncias, ele decide partir para outra galácia!

De certa forma, o invejo.

Há milênios homens e mulheres afirmam falar em nome dos deuses. Como questioná-los? Impossível… Qualquer pessoa pode simplesmente afirmar que fala e vive em função de deus. Qualquer uma.

Em termos práticos, todos os personagerns que disseram falar em nome dos deuses na história, o fizeram apenas para que suas palavras ganhassem atributos de “verdade inquestionável ” ou “revelada”.

E mais ainda, muitos dos personagens inventados pelas narrativas teológicas ancestrais, surgiram exatamente para isso: criar um elo entre a vontade de autoridade dos homens e os deuses. Foi assim com personagens fictícios como Moíses e Abraão.

Recentemente, somos bombardeados todos os dias com inúmeros “representantes de deus” nas mais diferenciadas mídias, e sobretudo, na televisão aberta.

Me chama a atenção em especial, o Valdemiro Santiago. Se as pessoas, em geral, tivessem como romper por um breve momento as amarras da fé e vissem um pouco da realidade que as cerca, perceberiam na forma mais didática possível, como se constroe autoridade dentro do universo da teologia.

Valdemiro é um dissidente da Igreja Universal do Reino de Deus e um homem que revela nos seus mais implícitos detalhes, uma grande ambição.

Quando sua assembléia era ainda um pequeno aglomerado de seguidores, ele surgiu com o pomposo nome de “Igreja ‘Mundial’ do Poder de Deus”. Procurando diferenciar-se dos demais ministros que normalmente presidem uma assembléia pentecostal, se auto promoveu como “apóstolo”, quando, no mínimo o que se esperava era o título de “pastor”.

Mais curioso ainda é a nomeação de sua esposa “pastora”; Nos programas, ele frequentemente se gaba de seus bens materiais e – distraidamente – se refere a instituição como uma “empresa”. E ainda, confrontando abertamente a lei e a Constituição Federal, afirma que não deve nada e nem presta contas à ninguém ( ! ).

Isso tudo, é claro, são meros pormenores. Frente a uma sociedade excludente e individualista; e ainda, com péssimos serviços de saúde, segurança e educação (aqui todos os envolvidos “obram milagres”), participar das “reuniões” com o Valdemiro, implicam, como sugere corretamente o meu amigo Jeremias, em se reconhecerem pertencentes a uma comunidade.

O vazio que cria…

O modelo de Estado atual é uma combinação de duas concepções distintas que acabaram se fundindo com o tempo. O estado absolutista e o estado constitucional, preconizado por intelectuais humanistas como o filósofo Montesquieu. Ambos contrastantes, legaram para a sociedade moderna, uma série de ambiguidades.

O Estado absolutista existia em função do monarca e de sua corte administrativa, que – bem teoricamente – representavam os interesses da nação e a vontade de deus ( ! ). Cabia aos súditos obedecerem ao rei e concordar que a ordem pública residia no atendimento a sua vontade.

O Estado constitucional, por sua vez, organizou-se apenas na premissa de que “o poder deveria limitar o poder”. Em ambos os modelos, portanto, jamais se admitiu a efetiva participação popular. Em ambos os casos, esperava-se apenas que o povo confiasse no Estado em troca dos benefícios que o governo teria de lhe ofertar.

Talvez esteja nesta situação a origem das querelas entre governo e vontade popular. Nenhum movimento social jamais foi bem recebido por qualquer governo – no máximo tem sido tolerado. E isto porque, na teoria, o Estado constitucional e democrático existe em função do povo.

Ocorre que neste caso, fica de fora o mais importante elemento da retórica democrática: O Estado existe em função do povo, mas não pelo povo. Não são as pessoas que decidem e elaboram as leis; não são elas quem decidem para onde irão os recursos adquiridos com os pagamentos dos impostos, ou quem declaram e validam guerras, ou ainda, quem decidem e legitimam os interesses de determinados segmentos sociais.

Quem mais está apto a decidir e orientar, quem lida diretamente com todas as necessidades e dificuldades do cotidiano, está de  fora do poder de decisão. E isto porque vivemos em uma democracia “representativa”.

É isto que explica a existência de movimentos sociais importantes como o MST. De certa forma, eles preenchem essa lacuna participativa. Sem eles, importantes personagens sociais não teriam qualquer meio de visualização direta das suas angústias.

E por isso mesmo, são tão combatidos pelos meios conservadores em geral. Tais instituições são comprometidas apenas com os principais elos que favorecem a existência do modelo clássico de Estado. Modelo este liberal (quanto a economia), tecnocrático, industrialista e financista.

Todas as demais correntes ou segmentos sociais que criticam ou questionam essa vertente de governo, são sumariamente desqualificados. Os povos indígens (por seus aspectos sociais e culturais), os negros, as mulheres, os pobres, as etnias consideradas “exóticas”. Todos desconstruídos discursivamente como “mazelas” da sociedade, obstáculos ao progresso e a economia. Um verdadeiro crime histórico.

Assim sendo, todo cidadão, todo aquele que vive em sociedade, precisa fazer um esforço colossal para buscar compreender efetivamente os mecanismos e interesses que regem a sociedade. Todo aquele que paga o preço por viver dentro do Estado, precisa de alguma forma vislumbrar os mais diferenciados pontos de vista. Se tornar um indivíduo  crítico e, principalmente, aberto ao novo, a mudança.

Temo que nas próximas décadas, e pelo menos nos países ocidentais (cristãos, capitalistas e europeizados/americanizados), um novo mundo se implantará. Será o paraíso dos cautelosos e dos dissimulados. Um mundo globalmente vigiado, observado atentamente em nome da “ordem e da segurança pública”, em nome do “bem-estar dos cidadãos”.

Neste mundo, não só crianças e adolescentes serão proibidos de sairem de suas casas após as 22:00 horas da noite, mas também, os adultos. Será tudo em nome da “segurança”, da “prevenção do mal”. Retóricas simplistas e maniqueístas não vão faltar. Se dirá, por exemplo: “Ora, mas o que um homem de bem tem de fazer na rua depois das 22:00 horas da noite?”

E todos concordarão. Todos aceitarão este argumento, pela única razão de que estão com medo. Graças a uma imprensa controlada e sensacionalista, que insiste em retratar apenas um cenário de roubos, assassinatos e tragédias, as pessoas estão prontas para cederem a qualquer coisa que lhes traga um pouco da falsa sensação de “paz”, de “segurança”.

O cenário está montado; atualmente, anunciantes vendem a ilusão de que você pode resolver qualquer coisa sem sair de casa. Basta acessar a internet e comprar a sua geladeira, carro, computador, televisão e conjunto de panelas. Tudo entregue na porta da sua residência. Também não precisa sair para se divertir, pois graças a uma avalanche de canais e mídias, todo o entretenimento necessário para lhe informar e lhe trazer felicidade, está plenamento ofertado apenas ao comprimir o botão do controle remoto.

Se diz abertamente que mesmo os exercícios físicos podem ser realizados de forma saudável, em casa mesmo; adquirindo apenas a última quinquilharia do telemarketing. Tudo mentira. Fruto de milhões de doláres investidos em marketing e criação de falsas necessidades.

Para que sair? Para que tomar um pouco de ar puro? Sair a noite? A noite, as zonas, as ruas, os faróis, as esquinas, são todas ocupadas por ladrões e viciados… É o que dizem os promotores de uma sociedade neurótica. Quem se atreve a sair a noite é o único culpado por seu infortúnio; estava no lugar errado e na hora errada. Então, que arque com as consequências.

As pessoas terão a seguinte rotina: trabalharão exaustivamente ao longo do dia, irão para casa ao fim da tarde, desfrutarão da família em um ambiente com pouca interação entre os sujeitos, dormirão cedo e voltarão ao trabalho no dia seguinte.

Isso já é uma realidade em nuitos lares americanos. Naquela sociedade – farol da humanidade para os colonizados de plantão – observamos cenas patéticas de famílias absolutamente destruídas, artificializadas (como a da mãe noticiada esta semana que chamou a polícia apenas porque sua filha se recusou a tomar banho).

É lamentável, pois tudo que precisamos é de uma boa conversa com as pessoas queridas, de trabalho (com dignidade), de acesso a uma boa alimentação, a saúde e a uma educação libertadora; e ainda, do contato com a natureza e com outros povos.

Meu amigo Gilberd já tinha comentado comigo; e ontem, durante o “Fantástico”, tive a oportunidade (credo) de assistir a tão comentada cena da premonição da novela das nove (Viver a Vida).

Céus! Que cena piegas! Foi provavelmente a interpretação mais ridícula que já vi. O fim, uma piada mesmo. Como a Lilian Cabral pode pagar um mico desses? As expressões faciais, a gesticulação, os gritos, tudo horrivelmente cafona, constrangedor até. Estou certo que na hora muitos telespectadores não se conteram e caíram na gargalhada.

Não obstante o programa apresentar uma boa resportagem sobre como o nosso cérebro é o verdadeiro responsável pela tentativa de se antecipar há algo que venha a acontecer, o que prevaleceu mesmo foi o ridículo de uma novela que se vende como produto cultural de primeira qualidade…

Eu mesmo tive sérias premonições quanto ao mais novo enlatado mexicano “made in Brazil”, do autor Manoel Carlos. Previ que seria uma novela simplista, apresentada entre o Leblon, no Rio de Janeiro e qualquer localidade da Europa (sempre apresentada como o alvorecer da sofisticação); também previ que a trama inteira se desenvolveria em torno de uma representação da elite carioca frívola e aguada, com seus draminhas pessoais, suas conversas artificiais de café da manhã, almoço, jantar e recepções festivas. Visualizei ainda os batidos clichês emocionais de sempre: os acidentes, as doenças gravíssimas, os casamentos e as separações.

Tudo pré-fabricado e com o “selo de qualidade” do Projac.

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